Uma pequena nota- TEXTO IV


Não se esqueça de antes de começar a ler, dar play na música:





A música é essencial, para dar sentimento ao texto. Espero que gostem!


Uma Pequena Nota


É sábado de manhã, ela acorda cedo e levanta tarde. Lá fora é frio e chuva, é chuva fria, solidão pela rua, é meia-noite de meio-dia. Senta-se na cadeira de metal de frente para a janela, pega uma xícara, enche com café, deixa cair, limpa o chão, cata os cacos, corta o dedo, se estressa. Acende um cigarro e o traga como se fosse seu último suspiro, conta até três, solta a alma junto com a fumaça. Pega outra xícara e enche com mais café, toma um gole, “amargo, como a vida” ela diz, escuro e já frio “como o clima hoje, como realmente sou por dentro” metaforiza.

De repente nota como a alma está triste. Se cansa de tudo. "Vida de merda, verdadeira arrogância ainda estar viva". Ataque de fúria. Quebra copos e pratos, grita, chora, lamenta, bagunça o cabelo, o quarto, a casa, corta os pés nos cacos, chora de novo, enche a banheira com água, escreve carta repleta de respingos de lágrimas, entra na água gelada, finge escorregar, cabeça dentro da água, respiração falhando. Não consegue. Levanta em sobressalto, sai da água.

Murro no espelho, mais um corte profundo, enrola uma toalha no ferimento, água e sangue lhe acariciam os ferimentos, despedem-se, vão de encontro ao chão. Ela passa pelos cacos da casa, encontra um cigarro e resto de bebida barata, os devora, dirige-se para o quarto. Roupa velha, pedaços de pano agora cobrem-lhe o corpo.
Modo "Reproduzir" e "Repeat" na playlist mais melancólica que tem, senta-se novamente na cadeira fria, mais cigarro, mais café, mais dor, mais chuva, mais frio, mais líquido amargo descendo pela garganta. Liga o computador, abre o bloco de notas, começa a digitar:

“É sábado de manhã, ela acorda cedo...”
-Ane,


Espero que tenham gostado da história.



XOXO
Anelle Siqueira
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